Satisfação de formados em Direito está em declínio nos EUA

analise historica

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Apenas 20% dos bacharéis americanos, formados de 2000 a 2015, dizem que o curso de Direito valeu a pena (ou o custo), de acordo com um estudo piloto do Access Group Center for Research & Policy Analysis, com a ajuda do Gallup.

Em comparação, o índice de satisfação dos bacharéis formados das décadas de 1960/1970 foi de 75%. E dos formados nas décadas de 1980/1990 foi de 50%. Isso mostra um declínio consistente da satisfação dos bacharéis americanos com o curso de Direito.

Atualmente, a maioria dos bacharéis (64%) têm dúvidas sobre se valeu a pena ou não fazer o curso de Direito. E 15% acha que, decididamente, não valeu a pena. Apenas 1% dos formandos nas décadas de 1960/1970 pensavam assim.

  Período da formatura
Fazer o curso de Direito valeu o custo 1960- 1979 1980- 1999 2000- 2015
Concorda 100% 75% 50% 20%
4 19% 28% 25%
3 4% 12% 22%
2 1% 6% 17%
Discorda 100% 1% 4% 15%
Não sabe dizer 0% 1% 2%

A média de custo das faculdades de Direito para o estudante, no período de 1960 a 2015 foi de US$ 70.582. Hoje em dia, para fazer um curso de Direito, os estudantes têm de fazer uma dívida de US$ 80 mil a US$ 150 mil. Costuma-se dizer que a média é de US$ 125 mil.

Enquanto os custos aumentaram, os empregos ficaram mais raros — especialmente depois da crise de 2008, que se refletiu mais pesadamente a partir de 2009/2010, pelo que se percebe do relatório do estudo, nomeado “A vida depois da Faculdade de Direito” (“Life After Law School,”).

O estudo mostrou que, no período de 2010 a 2015, apenas 38% dos bacharéis encontraram emprego logo depois da formatura. Em comparação, 70% dos bacharéis conseguiram emprego ao sair da faculdade, no período de 1960/1969.

  Período da formatura
Consegui emprego… 1960- 1969 1970- 1979 1980- 1989 1990- 1999 2000- 2009 2010- 2015
Logo após formatura 70% 66% 64% 56% 56% 38%
Em dois meses 14% 12% 10% 9% 8% 9%
Em três a seis meses 6% 9% 11% 12% 11% 15%
Sete meses a um ano 2% 3% 5% 7% 8% 12%
Em mais de um ano 2% 3% 6% 11% 13% 17%
Nunca: não busquei 5% 6% 3% 4% 3% 4%
Não sei 2% 1% 1% 0% 1% 6%

Apesar de apenas 20% dos bacharéis se declararem 100% satisfeitos com o fato de haverem escolhido a advocacia, em vez de outras profissões, 48% declararam que, se tivessem de voltar no tempo, fariam tudo de novo.

Apenas 12% dos bacharéis têm certeza de que não pisariam em uma faculdade de Direito, se a vida lhes permitisse voltar no tempo. E enquanto 47% têm graus diferentes de dúvidas, 4% sequer sabem dizer se voltariam ou não a estudar Direito.

  Período da formatura
Faria tudo de novo 1960- 1979 1980- 1999 2000- 2015
Concorda 100% 68% 54% 37%
4 14% 20% 19%
3 7% 11% 16%
2 3% 7% 12%
Discorda 100% 2% 6% 12%
Não sabe dizer 5% 2% 4%

A quantidade de advogados atuantes também sofreu um declínio notável nos últimos anos. Enquanto 86% dos bacharéis formados no período de 1970/1979 estão exercendo a profissão, apenas 77% dos bacharéis do período 2010/2015 estão atuantes.

O mais “intrigante” dessa parte da pesquisa é que 1% dos entrevistados não sabe dizer se está praticando ou não advocacia — um fenômeno desconhecido entre os formandos das décadas anteriores.

  Período da formatura
Está praticando advocacia hoje 1970- 1979 1980- 1989 1990- 1999 2000- 2009 2010- 2015
Sim 86% 82% 85% 82% 77%
Não 14% 17% 15% 17% 22%
Não sabe 0% 0% 0% 0% 1%

Bem-estar
O bem-estar de um advogado não envolve apenas o seu grau de felicidade ou riqueza, nem é sinônimo de bem-estar físico, diz o estudo. Em vez disso, envolve a interação e a interdependência entre muitos aspectos da vida, dos quais se pode destacar:

— Bem-estar profissional: gostar do que você faz diariamente e se sentir motivado pela vontade de atingir seus objetivos;

— Bem-estar social: desfrutar relacionamentos fortes e incentivadores, além de amar sua vida;

— Bem-estar financeiro: manejar com eficiência sua vida econômica, de forma a reduzir preocupações estressantes e aumentar a segurança financeira;

— Bem-estar comunitário: sentir envolvimento e comprometimento com as áreas onde vive e trabalha, com uma percepção de segurança e de orgulho por fazer parte dela.

— Bem-estar físico: ter boa saúde e energia suficiente para realizar seu trabalho e viver a vida em uma base cotidiana.

Sob esse aspecto do bem-estar geral, a maioria dos advogados está bem, a não ser pela conta que pagam por levar uma vida estressante, o que reflete no bem-estar físico. E, de certa forma, a maioria ainda não consegue administrar suas vidas financeiras como deveriam.

  Melhorando Lutando Sofrendo
Bem-estar profissional 55% 36% 9%
Bem-estar social 55% 37% 8%
Bem-estar financeiro 45% 35% 21%
Bem-estar comunitário 57% 34% 10%
Bem-estar físico 37% 53% 9%

Estudo piloto
O relatório do Access Group Center for Research & Policy Analysis explica que, nesse estudo, foram entrevistados mais de 7 mil bacharéis, de sete faculdades de Direito da região Sudeste do país. Essa limitação geográfica e do número de faculdades dá ao estudo um caráter experimental — e, por isso, é denominado estudo piloto.

Fonte.:  é, correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

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