Negligência e abuso financeiro são os crimes contra idosos que mais crescem no RS

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analise juridica

idososEm 2013, essas violações representaram 57,4% das denúncias no Estado, conforme relatório da Secretaria dos Direitos Humanos

Dos crimes cometidos contra idosos, a negligência e o abuso financeiro foram os que mais cresceram no Rio Grande do Sul, com um salto de 99% e 92%, respectivamente, de 2012 para 2013. No ano passado, os dois tipos de violação representaram 57,4% das denúncias no Estado, conforme relatório da Secretaria dos Direitos Humanos (SDH).

No meio das estatísticas, estão casos como o de Maria*, 80 anos, explorada por um neto e dois filhos, todos usuários de drogas. Os filhos, que não trabalham, moram com a idosa, na zona sul de Porto Alegre, e vivem às custas de sua aposentadoria. Já o neto, viciado em crack e com uma extensa ficha criminal, vinha se mantendo longe da residência devido a uma medida protetiva, mas voltou a aparecer no local, em busca de dinheiro para sustentar o vício. O jovem já vendeu inúmeros objetos da casa da avó e seria o responsável pelo sumiço de um salário da aposentada.

Crimes contra idosos duplicam em cinco anos em Porto Alegre
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Na última segunda-feira, uma das filhas da idosa procurou a Delegacia de Polícia de Proteção ao Idoso para registrar o descumprimento da medida protetiva. Fátima*, 64 anos, está preocupada com a saúde da mãe e teme pela segurança de Maria, que, no entanto, se recusa a deixar a casa.

— Todos os dias a gente vê na televisão casos de mulheres que são mortas por homens que desrespeitam a medida protetiva. E quando a gente chama a Brigada Militar, eles demoram para chegar. A gente se sente de mãos atadas — lamenta.

Filhos e netos também lideram o ranking dos possíveis agressores, segundo relatório da SDH, sendo os suspeitos apontados em, respectivamente, 51,4% e 8,2% das denúncias recebidas pelo Disque 100.

* Nomes fictícios

Leitores lamentam agressões

Pelas redes sociais, muitos leitores lamentaram os dados divulgados por ZH e tentaram encontrar explicações para o fato de os crimes contra idosos terem duplicado em cinco anos na Capital.

“Isso é resultado de uma cultura que valoriza demais a juventude — não a capacidade, e sim os pontos positivos de ser jovem. Vejam, por exemplo, quantos políticos fazem campanhas baseadas no auxílio ao idoso. (…) Pouca gente se preocupa com os mais velhos, pois a nossa cultura indica que eles não tem mais utilidade e se transformam em um fardo. Algo muito triste de se constatar”, escreveu Fabio Christofoli.

Mairlon Gyodai também acha que a questão é cultural: “Infelizmente aqui é bem diferente de como é em muitos países da Ásia, por exemplo, onde os mais velhos são reconhecidos como sábios e muito respeitados”. Já a leitora Denise Fratini acrescentou que “a maioria não respeita o idoso, mas vive na dependência de um, mora na casa que o idoso comprou com seu trabalho, precisa que o idoso cuide de seus filhos”.

Atualmente, segundo o IBGE, as pessoas com 60 anos ou mais representam 7,64% da população brasileira — percentual que saltará para 13,44% em 2030. Apesar da triste realidade, há bons exemplos, como o da leitora Andressa Ferreira.

“Fui criada por minha avó, e se não fosse ela em minha vida não teria as oportunidades que tenho hoje. (…) Não aceito e, se vejo alguém maltratando, denuncio! Serei idosa e cuido da minha ‘véinha’, com um amor absurdo”.

Fonte.: Zero Hora

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