Teorias da conspiração absurdas, mas que se mostraram reais

analise historica

Todo mundo gosta de uma teoria da conspiração. Elas são misteriosas, dão a sensação de que algo muito perigoso e muito secreto está acontecendo em todos os lugares. Tira da vida o acaso, substituindo-o por uma trama complexa de acontecimentos programados. O problema é que a maioria das teorias ficam aí, na teoria. Ninguém prova, quem tenta provar costuma ser tachado de louco (ou bobo) e ficamos por aí mesmo. Mas e as conspirações comprovadas? Elas existem e deixam uma sensação dúbia: ao mesmo tempo em que é legal ver que a realidade tem dessas coisas, é estarrecedor constatar que por trás do mistério quase sempre repousa uma história triste (e real) de covardia, exploração e sordidez.

O Experimento de Tuskegee

tuskegee

Depois de entender o experimento, essa cena fica aflitiva de tão cruel //Crédito: Wikipedia

Entre 1932 e 1972 cerca de 400 trabalhadores rurais do estado americano do Alabama foram selecionados para um estudo chamado Tuskegee Syphilis Experiment. O Serviço de Saúde Pública dos EUA tinha estabelecido critérios bastante práticos para a seleção: todos tinham que ser negros, pobres e ter sífilis. O tratamento seria gratuito – seria tudo uma grande boa ação. Mas aí alguns problemas começaram a surgir.

Nenhum dos 400 homens foi avisado que tinha sífilis. Os médicos diziam que o tratamento era para combater “sangue ruim”, expressão local para designar diversos problemas, como anemia, fadiga e também sífilis. E o tratamento também era controverso – isso porque ele não existia. Os pacientes recebiam um comprimido de aspirina e voltavam pra casa. A ideia era justamente observar como a doença avançava no corpo do homem negro. Depois de anos negando a existência do experimento, o governo americano se viu obrigado a assumir: o próprio presidente Bill Clinton fez um pedido de desculpas formal, classificando o episódio de “vergonhoso”.

northwoods

“Breve porém precisa descrição de pretextos que forneceriam justificativa para uma intervenção militar dos EUA em Cuba” //Crédito: Reprodução

“O resultado esperado da execução desse plano seria o de colocar os Estados Unidos na aparente posição de estar sofrendo ataques do irresponsável governo cubano e de desenvolver a imagem internacional de uma ameaça cubana à paz no Ocidente”.  Essa é uma das passagens mais contundentes do documento que propunha a execução da chamada Operação Northwoods. Como já deu pra ter uma noção só com essa frase, a ideia era chamar a opinião pública mundial para apoiar os EUA em uma futura invasão à Cuba. Eles precisavam de motivos pra isso e estavam dispostos a fabricarem esses motivos.

Várias cidades da Florida (incluindo Miami) e até a capital Washington seriam bombardeadas, pessoas seriam sequestradas, bases militares seriam explodidas. A rigor, Cuba teria começado a guerra e os EUA iriam apenas se defender – um tipo de raciocínio que, há quem sustente, está por trás do 11 de setembro. O presidente John F. Kennedy acabou descartando o plano, mas só de haver um documento oficial da CIA – revelado em 1997 – propondo uma coisa desse tipo, já é mais que suficiente para entrar nessa lista. Clique aqui para ver o documento na íntegra.

O testemunho de  Nayirah

 Em 1990, Iraque e Kuwait estavam em guerra. Os EUA apenas assistia os conflitos, sem intervir – não havia uma justificativa para isso até o momento. Mas uma menina de 15 anos mudou o rumo do conflito. Identificada apenas como Nayirah, ela deu um depoimento em um congresso sobre direitos humanos no ápice da guerra. Aos prantos, ela relatou coisas tão terríveis como soldados iraquianos invadindo hospitais no Kuwait e arrancando bebês pra fora das incubadoras só para assistir eles morrendo. O tipo de coisa que te deixa com vontade de entrar em uma guerra.

Mas a tal da Nayirah não era uma adolescente traumatizada. Ela era filha do embaixador kuwaitiano dos EUA e fazia parte da família real do país. Ela passou por um curso intensivo de atuação, de modo a comover a mídia internacional. Na época, a imprensa não tinha acesso ao Kuwait e aquele depoimento meio que ficou como a versão oficial dos fatos. Saldo final: os EUA entraram na guerra.

A Operação Paperclip

104 engenheiros

Existe ex-nazista? Esses 104 engenheiros aeroespaciais saíram do Partido Nazista direto para os EUA //Crédito: Wikipedia

Com o final da Segunda Guerra, muito nazista estava desempregado. Entre eles, muito cientista, (desses que inventavam mísseis e faziam coisas que deixavam o Tuskegee Syphilis Experiment parecendo brincadeira de criança). Então os EUA resolveram importar esses profissionais talentosos e trouxeram cerca de 700 deles para trabalharem em terras americanas.

Batizado de Operation Paperclip, a princípio o programa vetava a participação de pessoas que tivessem ligações com o Partido Nazista. Mas a ordem imposta pelo presidente Truman não durou muito: boa parte dos cientistas estavam classificados como “uma ameaça à segurança das Forças Aliadas” pelo governo americano poucos meses antes.

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